sim, não, talvez, amanhã, não era isso que queria dizer, não percebes-te nada.
suspiro.
tudo isto parece uma partida do Universo. a complexidade das coisas, das pessoas, dos seus sentimentos e ao mesmo tempo, a ilusão de que possuímos a compreensão disso. cansa-me. simplesmente cansa-me.
desde criança nunca fui levada a sério. não sei muito bem porquê, mas as minhas opiniões e atitudes nunca foram levadas como possíveis ou credíveis. há sempre um certo gozo no ar dos outros. não me estou a martirizar, porque sei que parte deste "problema" é meu e só meu. talvez eu própria não me leve a sério, mas às vezes, gostava que alguém me respeitasse o suficiente para simplesmente ouvir e calar.
como eu faço com os outros. por isso eu tenho tantos amigos e amigas. em brincadeira, por vezes comento com a minha psicóloga, que devo ter algum sinal na testa que diz: "é permitido desabafar e não se preocupe porque, vai ouvir exactamente aquilo que quer".
durante muitos anos tive esse "dom". dizia às pessoas o que elas queriam ouvir. agora que cresci, tornei-me mais crua, mais bruta. continuo a observar as pessoas e as suas atitudes, mas perdi um pouco aquele tacto de lhes explicar o que elas estavam a passar de uma forma subtil e generosa.
e isso faz-me entrar em conflito comigo própria, porque, por vezes, não sei distinguir se sou eu que não estou a ver as coisas como elas são, ou se são os outros que estão em negação.
dizem que quem está de fora vê melhor. eu acredito que sim. e em continuação do texto anterior, eu sempre fui a que está do lado de fora. ou quase sempre.
e agora que por vezes estou do lado de dentro, perdi a perspectiva...
Recycling went too far??
Há 10 anos

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