segunda-feira, 28 de setembro de 2009

.era uma vez.

Era uma vez uma rapariga que gostava de uma rapariga.
Num dia qualquer a segunda, a quem vou chamar Mia, tocou à campainha de Ana, a primeira.

Ana ficava sempre nervosa quando esperava por Mia.Olhava para todos os pormenores da casa, antes de abrir a porta, na certeza de que Mia não iria encontrar nada fora do lugar. Apesar disto, apresentava sempre uma atitude calma e descontraída, como se não se importasse.

Mia entrou e prontamente beijou Ana na boca. Prontamente também lhe pediu o que vinha buscar. Ana, que nunca sabe o que esperar perguntou: “Para onde vais com tanta pressa?”. Ao que Mia responde: “O rapazinho está lá em baixo, vamos fazer tempo para não apanharmos trânsito na volta para casa”.

O rapazinho é a nova paixão de Mia. Como se diz na minha terra e acho que em qualquer outra terra, ele é estrangeiro. Está a passar cá apenas algumas semanas.
Mia está embriagada de amor. Faz coisas inacreditáveis por ele.

Ana respondeu: “Tudo bem, se quiserem podem fazer tempo aqui e faço-vos um cházinho.”
Estas palavras saem da boca de Ana sem qualquer razão. Para sua sorte, sabe que Mia não vai aceitar, pois sabe o quanto Ana a ama. Ana ama tanto Mia, que se propõe a fazer cházinho para o seu apaixonado.

Esta é parte da história de uma rapariga que gosta de uma rapariga. Tudo sem sentido, muito sem palavras, muito sem explicação. Os acontecimentos sucedem a Mia e a Ana, como se fossem marionetas do destino.

Mia também ama Ana, à sua maneira. O beijo que lhe deu foi um beijo de amor. Um beijo de compreensão.

Elas compreendem-se. Têm uma ligação de alma.

Na maioria dos dias Ana sofre e tem pena dela mesma. Acha que merece mais, acha que isto está errado. Há mesmo dias em que se convence disto e começa a mover-se para fora, começa a sair. Assim que o faz Mia volta. Volta incessantemente. Sem nunca explicar, sem nunca dizer porquê, sem nunca, mas mesmo nunca pedir permissão. E Ana deixa.

Mia e Ana não sabem. Não sabem o que será da sua história. Não querem saber, pois é tão forte que pode tomar conta delas.

Vivem destes momentos incompreensíveis, que ninguém aprova, que ninguém entende. Mas vivem, pois não sabem ser de outra forma.

As mãos de Ana precisam das mãos de Mia. O coração de Mia precisa do coração de Ana. Elas precisam-se.

Perturba-me.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

.errrrr.

Errrrrr...Que nervos!
A falta de tolerância compreensão das pessoas ultrapassa-me!

Vou contar-vos uma história:

A minha mãe, tinha uma amiga, que fazia tudo por ela. Dizia-lhe que sim a tudo. Tanto que por vezes a minha mãe achava estranho e até um bocado enfadonho. Mas, durante uns anos lá conviveram em paz. Eu estava no início da adolescência e tinha mais que fazer do que tentar perceber as amizades da minha mãe.

Um dia, sem qualquer razão aparente, essa amiga deixou de falar com a minha mãe. Sem justificações, sem porquês, sem mas, sem nada...absolutamente nada. A minha mãe ficou "em choque" sem perceber as alegadas razões da senhora.

Isto foi há cerca de 10 anos. Ainda hoje passam uma pela outra na rua e nem se olham.
Na altura dei toda a razão à minha mãe e também não percebia o que se tinha passado.
Agora, em retrospectiva, percebo o que aconteceu.

A minha mãe, sendo uma pessoa extremamente temperamental, não dava espaço para a amiga ser ela própria, para ter opiniões.Basicamente, para nada. Um dia deve lhe ter saltado a tampa e desligou-se da minha mãe.

Ai como eu agora percebo a amiga da minha mãe!
Tenho situações na vida mesmo parecidas.

É claro que sou eu própria e não me anulo para ter amigos ou amigas, mas há certas pessoas que me tiram do sério. Pois não sabem ouvir que não ou simplesmente não concebem eu não fazer o que elas estão à espera.

Enfim, talvez tenha aprendido com as amigas da minha mãe a ser assim. A verdade é que me estou a desprender e aparentemente isso chateia algumas pessoas.

E pior. O que me chateia mesmo é não gostar de dizer que não, de sentir-me mal por isso e ainda ter que levar com os amuos dos outros!

Errrr!!! Hoje pisaram-me os calos.

domingo, 20 de setembro de 2009

.animais.

Os animais...São seres engraçados.

Tenho uma gata. Tem cá um feitio que não vos digo nada. Dizem que normalmente são parecidos aos donos. Eu não sei...

Tudo tem que ser como e quando ela quer. De manhã, tem o costume de vir miar para a porta do meu quarto, quando sente que eu acordei. Às vezes ainda nem abri os olhos e já estou a ouvi-la. Depois de abrir a porta do quarto, faz questão de se espreguiçar à minha frente e indicar-me o caminho para a casa de banho. Ela tem que entrar primeiro, pois tem um fetiche qualquer com portas fechadas. Sempre que se abrem ela tem que entrar. Enquanto eu estou na casa de banho, ainda meia a dormir, ela anda de um lado para o outro como se de uma passagem de modelos se tratasse.
Depois, durante uns minutos, para onde quer que eu vá segue-me, muitas vezes fazendo questão que eu tropece nas suas patinhas minúsculas. Quase que tenho que lhe pedir permissão para andar.
Normalmente não gosto de ser "incomodada" de manhã, mas também sei que tenho que aproveitar estes momentos, porque, durante o resto do dia ela simplesmente, dorme. À noite, se me sento no sofá a ver televisão, por vezes deita-se no meu colo. Demora sempre algum tempo a se ajeitar e por vezes eu tenho que mudar de posição para a princesa ficar confortável.

Ah! E quando tem fome? É engraçado. Ela está comigo há um ano e meio e foram raras as vezes que deixei a taça da comida vazia. Então, quando isso acontece, consigo distinguir o miar dela, que fica diferente. É histérico! Parece que o mundo vai acabar. É muito mimada a minha gatinha.

Tirando isto, por vezes invejo-a. Tem uma vida simples. Alguém lhe limpa a casa de banho, todos os dias dá-lhe de comer e beber e já para não falar nos miminhos.Ah! E para tomar banho só tem que se lamber! Ser gato deve ser bom. A maior preocupação dela são os pombos que passam em frente à varanda e os estranhos que por vezes entram em casa.

Ser gato deve ser bom...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

.altos e baixos.

Os altos e baixos dos dias, da vida. São imprevisíveis. As atitudes das pessoas, o desenrolar dos acontecimentos escapam ao esperado. Sempre tive dificuldade em lidar com isso pois tudo o que me dizem ou fazem afecta-me patologicamente. Funciona para os dois lados. Às vezes basta sorrirem para mim para tornar o meu dia mais feliz. Às vezes basta um olhar para me magoarem profundamente.

Muitas vezes penso que as pessoas não têm noção da influência das suas palavras e dos seus actos sobre mim. Também sei que não têm obrigação de saber. Ao longo dos anos fui arranjando estratégias de defesa. A que mais uso é, quando alguém me magoa, pego nesse acontecimento, analiso-o e, na maioria das vezes decido: " A partir de agora vou mudar de atitude em relação a esta pessoa".

Não sei se me estou a fazer entender. Isto parece fácil e até um pouco fútil, mas, mudar de relacionamento com alguém pode ser bastante complicado.

Normalmente, o que acontece depois é toda aquela força e coragem iniciais se desvanescerem e tudo voltar mais ou menos ao que era dantes. Com a diferença de que agora, eu estou mais magoada.

É algo que tenho que resolver. Hoje em conversa percebi que tudo passa por ser eu própria, sem medo que as pessoas me abandonem.

Mas às vezes, com o cansaço, mais emocional que físico, o que apetece mesmo é mandar tudo à merda e não fazer qualquer esforço para manter amizades. Perder a cabeça.
Às vezes tenho flashes de adrenalina que me dizem para largar tudo e todos e não querer saber de mais nada. IR...SER...

Mas são apenas momentos. E no final de contas, pesando na balança, não são esses os momentos que mais pesam...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

.aniversário maria.

Penso em alguma coisa para partilhar com vocês.


Este foi o melhor presente de aniversário que já recebi. Um vídeo representando muitas das coisas que mais gosto. Achei que seria giro partilhar mesmo que algumas coisas não percebam.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

.lista.

Tenho uma lista que intitulo "As melhores coisas do Mundo".

Hoje acrescentei mais algumas coisas. Acho que vou em 37 ou 38.

Estou a fazê-la há mais de um ano e fico sempre feliz por adicionar coisas novas.

Acho que significa algo importante. Não sei bem o quê. Tento me rodear dessa lista. Nem sempre é possível, mas fazendo as contas, até não me estou a sair mal. Acho eu...

.immigrant.

You burn my flame within your hands
You know when my destiny falls
This time has insecurity
I feel, makes me restless inside
Will you take me there
To a distant place Ive never been before
I could leave this world
I could follow you like oceans to the shore
You could take me there
Make the rivers of my mind flow to my dreams

You hold your secrets from my eyes
You see where the furthest rain falls
The day breaks over in the streams
You know where my rivers will flow
Will you take me there
To a distant place Ive never been before
I could leave this world
I could follow you like oceans to the shore
You could take me there
Make the rivers of my mind flow to my dreams

And I dream of places far from here
And I call your name to the wind
And I wish the night would take me to another world
Where no one knows a face or has a name
Will you take me there
To a distant place Ive never been before
I could leave this world
I could follow you like oceans to the shore
You could take me there
Make the rivers of my mind flow to my dreams


Algo me faz sempre voltar a esta letra, a esta sensação, a esta noite que tudo mudou.Queria perder-te dentro de mim, queria expulsar-te com raiva e certeza. Queria renovar o meu amar. Lavá-lo, secá-lo e engomá-lo. Dobrá-lo e pô-lo na gaveta para que, um dia, quem sabe amanhã, voltar a usá-lo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

.suspiro.

sim, não, talvez, amanhã, não era isso que queria dizer, não percebes-te nada.

suspiro.

tudo isto parece uma partida do Universo. a complexidade das coisas, das pessoas, dos seus sentimentos e ao mesmo tempo, a ilusão de que possuímos a compreensão disso. cansa-me. simplesmente cansa-me.

desde criança nunca fui levada a sério. não sei muito bem porquê, mas as minhas opiniões e atitudes nunca foram levadas como possíveis ou credíveis. há sempre um certo gozo no ar dos outros. não me estou a martirizar, porque sei que parte deste "problema" é meu e só meu. talvez eu própria não me leve a sério, mas às vezes, gostava que alguém me respeitasse o suficiente para simplesmente ouvir e calar.

como eu faço com os outros. por isso eu tenho tantos amigos e amigas. em brincadeira, por vezes comento com a minha psicóloga, que devo ter algum sinal na testa que diz: "é permitido desabafar e não se preocupe porque, vai ouvir exactamente aquilo que quer".

durante muitos anos tive esse "dom". dizia às pessoas o que elas queriam ouvir. agora que cresci, tornei-me mais crua, mais bruta. continuo a observar as pessoas e as suas atitudes, mas perdi um pouco aquele tacto de lhes explicar o que elas estavam a passar de uma forma subtil e generosa.

e isso faz-me entrar em conflito comigo própria, porque, por vezes, não sei distinguir se sou eu que não estou a ver as coisas como elas são, ou se são os outros que estão em negação.

dizem que quem está de fora vê melhor. eu acredito que sim. e em continuação do texto anterior, eu sempre fui a que está do lado de fora. ou quase sempre.

e agora que por vezes estou do lado de dentro, perdi a perspectiva...